Floresta também é comida: mudanças na cultura alimentar caiçara e nas naturezasculturas da Ilha Grande (RJ)


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Referência Bibliográfica:
Juliana Fernandes Silva de Oliveira (EICOS/UFRJ), Lucimara Rett (EICOS/UFRJ)

Local: Salvador
Ano: 2025
Instituição: Salvador: Universidade Federal da Bahia Edição: XV Reunião de Antropologia do Mercosul Volume: 15

Resumo:
Este artigo visa compreender a implicação das mudanças nos quintais e espaços produtivos de populações caiçaras nas “naturezasculturas” da Ilha Grande (RJ). Essas populações baseiam tradicionalmente sua subsistência no plantio em roças e na pesca artesanal, garantindo o sustento das famílias e das relações de parentesco e compadrio pela comensalidade, e buscam meios de coexistir, produzindo coletivamente uma mundificação multiespécie, já que suas práticas tradicionais envolvem profundo conhecimento do ambiente. A comida transmite identidade e reflete o papel da cultura na natureza. Em comunidades caiçaras, percebe-se a proteção da natureza no uso de espaços produtivos, que favorecem a soberania e a segurança alimentar e nutricional. A criação de unidades de conservação restritivas e o turismo intensificaram as mudanças nos espaços de subsistência das famílias (floresta, roça, casas de farinha, quintais e casas), bem como na cultura alimentar, nos modos de produção e na própria vivência dessas populações com a natureza. Essas mudanças nos espaços de subsistência alteram também as relações multiespécies e como as comunidades “mundificam” seu ambiente, potencializando a separação natureza-cultura. Esta pesquisa qualitativa de finalidade exploratória, parte da construção da tese da autora, ocorreu por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa em campo, com entrevistas e observação ocorridas entre 2023 e 2025, gerando categorias de análise para interpretação dos dados.

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