Comida é linguagem: reflexões sobre a cultura alimentar caiçara como inspiração para uma educação decolonial
Juliana Fernandes Silva de Oliveira
Referência Bibliográfica:OLIVEIRA, Juliana Fernandes Silva de. Comida é linguagem: reflexões sobre a cultura alimentar caiçara como inspiração para uma educação decolonial. Revista Caleidoscópio: múltiplos olhares sobre a educação local: Valença, BA, 2026.
Local: Valença, BA
Ano: 2026
Revista Caleidoscópio: múltiplos olhares sobre a educação Edição: Maio de 2026 Volume: 2 Páginas: n. 1, p. 32-44
Resumo:
Este artigo visa refletir sobre a cultura alimentar como uma forma de inspirar uma educação que seja decolonial, partindo da compreensão de que a alimentação não se reduz ao pertencimento, transmissão de saberes, relação com o território e produção de mundos. A partir de revisão bibliográfica e de reflexões ancoradas em pesquisa de campo realizada com comunidades caiçaras da Ilha Grande, argumenta-se que práticas tradicionais relacionadas ao cultivo na roça, aos quintais, a pesca, a casa de farinha, as receitas, os modos de preparo e a partilha dos alimentos configuram uma pedagogia territorializada. Tais práticas ensinam observação, temporalidade, reciprocidade, cuidado, leitura e interpretação do ambiente, e interdependência entre humanos e não-humanos, buscando desfazer dicotomias como natureza/cultura, teoria/prática e escola/vida. Nesse sentido, a cultura alimentar caiçara oferece pistas consistentes para pensar uma educação comprometida com a valorização dos saberes tradicionais, com o reavivamento do sentimento de pertencimento e com formas menos coloniais de ensinar e aprender. Reconhecer a comida como linguagem amplia o campo educacional e favorece a construção de práticas pedagógicas sensíveis ao território, à memória e à experiência.
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